Cantos ao Sadhaka

Srila Atulananda Acharya
1
Canto-lhe ao sadhaka, (ao praticante), ao que luta, ao que se levanta
Ao que submete seus sentidos, ao que é forte na sua determinação
Ao que se mantém humilde e temeroso
Ao que sente a grande divida com seu mestre
Ao que já não se pertence e se vence a cada passo
A esse lutador grandioso, Oh Krsna! Danos Tua graça!
Sem ela não somos nada
Não há sadhaka, nem sadhana, nem esperança alguma
Faz-nos fortes ante maya, fracos a Tua Vontade Suprema!
Oh Senhor! Enche nossa vida!
Prabhupad não queria que nos esquecêramos de Ti...
2
Recordas antes que chegara Srila Prabhupad?
Para uns a cabeça cheia de fumaça
Os cabelos cumpridos, a música estridente
Em busca da verdade... Num violão
Embarcados em longos viajes, uns viajavam
Uns viviam nas montanhas, alçadas entre penhascos e rios
Juventude louca, inventando o amor
Tornando o grande barato
Uns pseudo-s intelectuais diziam: “Todo é energia, tu e Deus mesmo
Tu és Deus”….... Diziam.…
Na loucura de uma época extraviada
Sem saber nada, nada sabiam.
As estrelas guardavam sua muda palavra
O céu sempre falava, mas ninguém entendia
Os livros carregavam sua sabedoria
Mas sem Pabhupad todo calava
Uns buscavam, outros nem sequer isso
A todos chegou com sua graça
Ao despertar, ao despertar vinha:
“O amor é a verdade, a razão da vida” •Agora te despertas e te levantas
E tens um grande compromisso
Todo te ensina, todo te instrui
És um filho, o mensagem é tão grande, tão grande tua divida
Que sabias de Krsna, que fazia, quem era?
Agora queres selar teu compromisso com os mahatmas
Cumprir com eles, render tua vida
Te sentes vazio, inepto
Mas igual corres:
Ao encher corações e o teu
Corres a entender o que não entendes
A satisfazer essa necessidade interna que nunca se satisfaz
Pedes serviço com teu canto impetuoso
Temeroso e atrevido, serviço pedes no domínio Supremo!
Antes nada sabias Oh Sadhaka! Cómo tens cambiado!
Seu serviço anseias
Não foram às palavras de Prabhupad o doce som da Sua flauta?
O de lábios de lótus! O dos pés de lótus!
Que como um cisne pela terra andavas!
3
Oh Sadhaka! (praticante) Que bela é tua vida!
Voltas a ser um menino
Começas a viver com o céu
O sol te fala de teus gayatris
(As estrelas do primeiro)
A lua recorda teus jejuns
E as sagradas datas dos santos
Gosto de tua vida austera, dura, pura
Teu banho de manhã
Levando o santo nome
Te postras ante teu guru como um filho
Teu coração esta cheio de sua palavra
Sentes que queres amar mas não podes
E os grandes mestres te pedem calma
Amo tua vida
Porque amas sem amar ainda
Por essa bela esperança que tens
Vives na fe de uma bela perspectiva
Gozas sem gozar e aceitas as asperezas
Os golpes duros abrandam o coração - meditas
Buscas a doçura, o amor, o serviço
Te elevas a suas fontes
Te sentas a escutar as palavras dos santos
Queres purificar-te, “lavas o carvão”, acabas contigo
Queres encher-te de Krsna, de bondade, de serviço
Para ti todo é um grande salto, pegar um grande risco
O risco mais absurdo porque te aproximas ao mais Bom
Mas assim são as armadilhas de maya
E agora tu estas aprendendo a viver
A assinar teu compromisso com o céu
Dele vem teus compromissos e teus votos
Tua vida é um poema
Tua vida começa a ser uma bela canção junto ao Belo
Oh Sadhaka, Oh meu sustento, mantém teu coração puro a pesar de todo!
Não te sintas sozinho junto aos vaisnavas!
4
Há calma, há quietude, oh sadhaka!?
Ainda não, me dizes
Há pureza, há convicção, lograste algo?
Ainda não, me respondes
tens compreendido, sabes que fazer, quem és?
Falta muito, é tua resposta
Teu Gurudeva te pôs no lado negativo
Krsna te desperta e te leva a essa realidade mesma
Ele quer correr para abraçar tua humildade
Na tua completa humildade te mantém abraçado
Junto a teu ouvido te sussurra:
“Te darei conhecimento sem causa,
E desapego do mundo...” •Para que querer outra riqueza? Oh sadhaka!
Caminhas quando sentes que não caminhas...
Quando choras porque o perdes, ali o ganhas
5
Doce paz, doce éter, doce silencio charmoso
As campainhas do aratik soam
E o sol vai alegrando o crepúsculo
Presenteando ao sadhaka outro dia
Quando os pássaros vão dormir:
Tu adormeces tua alma com o Nome Santo
A levas descansar ao regaço de teu amo
Tua vida já não te pertence
Dia a dia repetes tua palavra, cumpres tua promessa
Acrescenta tua riqueza no céu
Tua vida é simples, selada no amor
Vives nesse mundo virtuoso, tão puro e diáfano
Que o olho carnal não percebe teu progresso
Mas tu vãs a Ele
Tu vãs a Ele, sadhaka, não temas
Assim nos dizem os mestres...
6
Oh sadhaka! Que te sentas no chão
E às vezes comes com a mão
Todo é divino para ti
Pegas teu simples arroz, trás a oração de agradecimento
Com a alegria do banquete dos deuses
Estás com os teus, em família, em tua vida simples
Estás avançando até reino glorioso
Onde és o rei de teus sentidos e um escravo do Charmoso
“Vida simples, pensamento elevado” •Oh sadhaka! Que riqueza tão grande te deram os sábios!
Tu a aprecias com tua vida simples, tua mente simples
Tu avanças
Tu estas agora guerreando forte todos os dias
A vida a ganha quem luta por ela
Não quem satisfaz este corpo funesto e dormido
7
Oh Sadhaka! És heróico, és glorioso
A gente ordinária teme a disciplina, os ideais altos
Temem falar a verdade muito mais vivê-la!
Querem almofadas brandas, música suave e sexo
O sexo enche suas consciência com uma vida pornográfica
Não há alma para eles, só há corpos, muito sujos e baixos
Que nunca para o serviço divino são ocupados
Mas oh sadhaka! Tu vives para a alma
Ousado, intrépido, vãs a essa zona com os passos da esperança
A uma vida luminosa e santa
Lutas contra todos, pais, irmãos, se é necessário, se eles não querem
Estas disposto a seguir sozinho, seguro e erguido
Como um grande soldado sob um grande baluarte
Disposto a morrer por esses generais que conhecem a gloria
Que coroados como reis de seus sentidos,
Te guiam a seus reinos, a teu lar,
Oh sadhaka! Oh santo!
8
Quanta solidão! Quanto tropeço!
Quanta adversidade! Oh amigo, minha vida aplanas!
Cale minhas orações e me senti sozinho
Assim sozinho achei tropeço e nele adversidade
E voltei a minhas orações
Retomei meu canto
Senti Sua companhia interna
Seu amor no coração também o teu Oh sadhaka!
E de novo quis ser como tu
E renovar meus votos
Sentir-me unido aos santos através da minha prática
De que servem as conversas em vão?
Que alivio ao coração deixam?
Falemos do Senhor
Sintamos Sua companhia
Me abençoa Oh sadhaka! Com teu sadhana intenso
Me leva a teu kirtan
Não me deixes perder na nada
9
Canto o Santo Nome com uma grande esperança
Vocês me tem alentado, oh bhaktas!
Como gotas que pouco a pouco o coração transbordam
Cada palavra do mantra chega a mim
Entrando aos poucos
Sempre é assim para todos
Só escuta este doce nome que corre a teu coração
Entesoura este presente de Srila Prabhupad
Receberas este presente com um coração frio?
Poderás assim entender do que se trata?
Ele que chegou com seu coração candoroso
E trouxe a ciência do amor
O trouxe de uma maneira concreta
Para que o possas sentir e viver com ele
Por fim viver nele!
No amor, no amor tão grande
Essa é nossa esperança
Atrás dessa perspectiva madrugas Oh sadhaka!
O Senhor sabe o que procuras
Ele escuta teu mantra
Em tua boca o põe se esconde
Chama-o, serve-o e chama-o
Seu doce coração só busca o momento mais oportuno
Para dar-se
10
Algumas vezes ao me levantar falo:
Quando poderei amar-te meu Senhor?
Quando poderei dizer Teu Nome?
Quando estarei puro e não causarei dor com meu pecado?
Quando estará limpa minha mente
E nela brilhará a devoção pura por Ti
Quando serei Teu devoto?
Quando terei verdadeiro Amor?
Quando buscarei de verdade Teu serviço,
deixando de lado toda comodidade pessoal?
Quando rirei do medo, da ira e a ilusão?
Quando conhecerei a doçura da humildade
E quando terei amor pelos devotos?
Quando poderei romper o encanto de maya,
O desejo perverso, a atração mundana?
Quando Tu, Govinda, serás minha concreta realidade,
meu sustento, meu amigo, meu refugio, minha meta, meu todo...?
Se multiplicam os dias, os anos vem e passam,
E sou ainda o mesmo , ainda tão longe...
Mas estou na senda do sadhaka
Nesse caminho que gostaria pegar e não o deixar
Esse longo caminho às vezes pedregoso e sinuoso,
Nesse caminho montanhoso que procuro e que amo
Onde temo e tropeço
Onde sofro o desamparo
E onde te busco a ti oh sadhaka!
Oh Sadhaka que estendes tua mão!
11
Recordas, Sadhaka, tua vida?
Quando chegou o dia em que Govinda te chamava?
Quando desapareceu o encanto da ciência exata
E a grandeza do homem se desmoronava?
Quando percebeste o tempo, o factor tempo regendo tudo
E que este mundo já não era um refugio amistoso
Quando fostes consciente da morte, e da outra vida
E dos atos pecaminosos,
Foi um despertar
Um despertar sobrio e profundo
Repetido na mente, insistente, sempre presente na consciência
Um olhar metafísico
Além do sorriso e do beijo
Além do perfume e as jóias
Maya, cortina superficial, se tornou o mundo
Os risos, as festas, os compromissos e amigos
O ganho do dia, o sabor da noite
Todo se desvaneceu como uma débil neblina
O que os homens chamam cultura
Foram espasmos de pobres criações
Sensações perdidas de ilusões tristes
O ar de importancia, o ar de grandeza
Só ar inflando o balão do orgulho
A luta por se individualizar neste rascunho da vida
A luta por surgir explorando aos otros
Que acontece? - dissestes - acordando
E fostes onde teus pais, teus irmãos, teus amigos
Mas já não era o mesmo
Tu tinhas mudado e estavas vendo:
O sentido das palavras, do mesmo evangelio
Palavras que galopavam no fundo da tua conciência
Então veio a solidão a abraçar-te
Te receberam os caminhos solitarios e calados
As praias vazías, as molhadas rochas
Os corações duros e a resposta dos surdos
E te sentiste desorientado, desamparado e perdido
No mundo ao que recém nascias
Onde ainda não engatinhavas nem comias
Num mundo onde recém gemías e choravas
Ficavas sozinho num universo vazío
Os disfarces e honras do mundo já não te possuíam
O éxito, O triunfo anseiado pelos jóvens
Para ti já era comida mastigada e experimentada
Tristemente comida e engolida desde siempre
Quando a alma despierta já não pertence a este mundo
Só o eterno é real, procuradora de raíces
E choravas por achar outros espíritus em vigilia
Ay quantos livros! Ay quantos caminhos e mestres!
Ay Govinda escondido! Ay o Travesso, o Charmoso!
Tantas vidas, tantos caminhos, tantas perguntas
Para amadurecer o coração, o mais doce fruto
E chegaste aos devotos
Foram te procurar com seu canto e com seus livros
Tilintido de kartalos, lembras?, Dança de alegria
A alma convidada ao fim da sua ansiada festa
Chegaste ao fim sadhaka a teu refugio seguro
Um caminho muito longo seguiste para chegar ao caminho
Ao caminho tão longe do amor e do serviço
O longo caminho todo cheio de graça
E assim tua alma fresca e rejuvenescida
Alço seu vôo no kirtan sacudindo as incongruências
E assim te sentas a falar esta vez com outros sadhakas
Como foi tua historia, como chegaste a Krsna
Como se desvelo Sua misericórdia a senha do universo
Abrindo a boca dos sábios e descobrindo profundos segredos
Contas tua chegada com alegria
Com a alegria de quem recebe a graça Sua
Teu recorrido de dor o contas com um sorriso
Mas teu choro pelos que dormem ainda perdura...
Aspiração do Sadhaka
Um dia lhe perguntaram ao sadhaka humilde e simples, ao de continuo sadhana, ao que passeava em seus dedos as contas de tulsi junto com o Nome: “Qual é tua aspiração para a próxima vida, oh sadhaka? Qual é o resultado que desta, tua abnegada vida esperas?...
Fechou seus olhos o sadhaka e desenhou um sorriso: “Que mais que uma vida de entrega?”; assim resumiu sua singela resposta, mas depois, como chamado pela vina dos Vedas, começo a susurar seu pensamento: Espero na minha próxima vida, nascer numa vila afastada, povoado de sábios e na beira de um rio sagrado, que desde antes do sol sair vibrem os sons que louvam ao Senhor, que declaram Sua bela gloria com a poesia ainda, mas bela... Ali quero ter minha mansão: uma pequena choça de palha e terra... E meu pai um santo, no Santo Nome absorto, de vida frugal, de coração profundo, de amorosas palavras cheias de religião; e minha mãe também uma santa abnegada, amante da simplicidade e a pobreza, da excelsa Deidade e do serviço a seu esposo. Sempre estará ali a música do rio cristalino e verei o campo de compacta riqueza, levantando ao céu seus frutos, pelo sol beijado e acariciado por frescas brisas que dão perfumes e traem um concerto de pássaros... Levantarei-me quando o céu seja um pano escuro salpicado de estrelas e pensarei nos santos, repassarei na minha mente os últimos versos que estudei da Santa Escritura, meu olhos umedecidos de emoção, buscaram agradecer ao dador de tanta fortuna. Sempre entregado ao Santo Nome e ao estudo das Escrituras. Sempre trabalhando feliz em todos os que fazeres, aprenderei a lavrar a terra, a reconhecer o anuncio dos pássaros e o recorrido das estrelas, conhecerei a bondade de cada erva, aprenderei a cozinhar e a tocar diversos instrumentos, isso será algo normal e natural. O mas importante será a conferencia dos sábios, sentar-me durante horas a escutar suas realizações, acompanha-los em seus peregrinagem e sempre orar por receber a graça deles.
Sempre terei presente que este mundo é morada passageira, uma preparação para o infinito, uma escola de muitos anos e de muitas lições. Sempre me esforçarei por sentir a vontade e a presença de Krsna em todas as coisas, tentarei entender que não sou este corpo. O divino kirtan do Santo Nome enchera minhas horas, desde a saída do sol até que se esconda, sempre buscarei a bondade, buscarei amar a todos, até os menores e orarei pela graça de sentir-me o mais desvalido, o mais privado de todos os seres.
Pedirei a graça da montanha e da árvore, querei aprender da sua silenciosa grandeza e da calada tolerância do dador de frutos. A graça do vento poderoso querei ter, como viaja livre sem limite de fronteiras, como seu ressonante sopro agoniava o coração dos ignorantes. Querei aprender do sol que todo alumbra em sua generosa marcha, que como um grande paramahansa pega água doce do salgado mar, das águas desse mesmo mar querei aprender, como se alçam para aplacar a rocha; e da pedra insignificante e dura, que causa o tropeço dos grandes e construí mansões. Em todo cisco, em cada gota, em cada reflexo e em cada grão de areia, estarei enlevado de Ti, minha mente irá a Ti, mas essas serám só observações secundarias, de menor importância, eu buscarei o pó dos pés de Teus devotos, e farei uma guirlanda para eles, e adorarei a forma de Tua Deidade engraçada...
Sentirei a graça dos jejuns, aquietando minha mente, assentando meus sentidos, estarei feliz com essa austeridade divina. Uma sensação de paz e de alegria virá desde dentro de mim mesmo, como uma voluntariosa força que conquista, que domina as paixões, que estabelece um caráter nobre e puro... Não sei se terei minha casa e meus filhos, minhas frutas e minha horta. Só Deus sabe o que é bom para mim. Mas quero nascer com um profundo sentido de renuncia, quero nascer com o desinteresse completo pelos prazeres do mundo, sem nenhum interes pelo desfrute pessoal, pelo ganho pessoal, pelo aparente êxito vão que tantos buscam com cega veemência. Oro por isto. Porque o desprendimento total seja minha, mas cobiçada meta, porque saber-me o mas pequeno e insignificante seja minha ambição mas grande, porque por toda riqueza tenha pureza de coração e a compreensão dos santos. Que “escravo” seja meu nome, os desejos e as paixões domadas meu principio, a impoluta devoção todo meu caráter, a caridade minha ação, minha aprendizagem os sastras, meu ensinamento a rendição a Seus pés divinos, os remanentes sagrados meu único alimento, Seu Santo Nome meu exclusivo canto, o tilaka indicando que pertenço a Sua casa, minhas mãos que anseiem as contas de Tulasi. Por isso oro por ter tal graça... Que sempre vão meus pés a Teu templo, que sempre olhem Tua imagem meus olhos, que sempre meus ouvidos recebam Teu sruti, que minha mente Te recorde, que minha inteligência Te descubra, que meu coração Te anseie; que a língua louca já dominada, só cante Tua gloria. Que todo seja para Ti, que todo gire entorno Teu: a lua, o sol, o grilo noturno, as cidades ilustres, todos os pensamentos, todos os atos, todos os sentidos, todos os desejos, todo unido a Ti, todo ensamblado Contigo, só Tu em todas partes, Tu e os que Te servem, Tu e os que Te amam. Oro por essa realidade, oro pela Verdade em todas as coisas.
Nessa casa reinara a paz da vida santa. Serám meus pais fonte de consolo, de fortaleza e de luz. Os cânticos saíram pela janela, ou se escutaram vindo da terra fresca, quando as estrelas marcam a escuridão do céu e quando a lua cheia passeia sua pálida presença...
Estarei livre dos vícios, dos desejos de exploração, do desejo de triunfar neste mundo vendendo perversão e subcultura, animalizando ao homem, o degradando até a demência... Só para ser um grande senhor dos novos templos de mármore chamados Bancos... Não querei a fama nem a eloqüência dos intelectuais especuladores e charlatães, amantes do sexo e da vida superficial e plácida, desses fanfarrões que preferem inventar antes que aprender, que falam sem escutar, que fazem do conhecimento um frio objeto de analise e estudo, um mero objeto de observação, desde a escura plataforma do orgulho, mas que nunca é algo venerável e adorável para eles, nunca algo tão valioso como para dedicar a vida a ele. E isso é por que não tem conhecimento algum, porque só mastigam e engolem a casca de suas apreciações mentais, sem chegar nunca à doce substancia da Tua presença. Estes intelectuais falam de um mundo sem Deus, ou se existe, é de escassa importância, para eles só valem suas muitas fantasias e loucas ambições. Enchem livros e livros sem nada claro, para levar de um charco a outro charco, eles não sabem do éxtasis da Tua palavra, não sabem que sabedoria significa uma vida dedicada a Ti...
Poderei apreciar a santidade como a mais alta riqueza? Estarei realmente livre do temor aos tantos perigos deste mundo? Em Teu nome me abrigarei e na companhia de Teus santos. Eles me darão refugio, e o oceano de perigos se reduzirá a água contida na pegada de um terneiro. Porque não há maior perigo que desconhecer Tua grandeza e não há pobreza mais grande que ignorar Tua graça.
Mas, um momento! Quem és Tu pequeno sadhaka, para aspirar a um nascimento tão vantajoso? Que tens feito e porque sonhas com tanto merecimento?
Meu Mestre nos ensinou a pensar em grande, mas é verdade, de onde saquei tanta petulância em meu vôo? É verdade, nada mereço e todo o que obtenho é por graça de meu Mestre e de meu Senhor, e só para gloria de eles. Mas também é verdade que seremos levados de acordo ao desejo do coração e a disposição da mente, tal vez em milhares de vidas mas para a frente, mas algum dia quero ser abençoado com o gosto por uma vida santa e simples.
E todo me fará orar em forma incessante: a dor de meus pecados, o temor à caída, a ordem de meu Guru, a graça divina, o mesmo sabor do Nome, os sucessos da vida, a implicância desta Verdade em todos os atos que execute...
Com grande regozijo cantarei os versos do Bhagavad-Gita no doce sânscrito, saboreando cada palavra carregada de bhakti, Saída em forma direta do coração do Amado. Tomara possa chorar então... Suas palavras viram como uma velha lembrança, como uma sensação de algo já conhecido, como me encontrando de novo com um velho amigo cujo nome é Krsna. Seu nome é belo e dinâmico, pleno e sóbrio, grato ao ouvido e gozoso, me regozijarei entoando Sua eterna sabedoria, minha mente agitada, minha inteligência fortalecida, meu coração purificado e perfumado com o lótus da Sua transcendência, “oh canto colossal do meu Senhor glorioso!” - pensarei para mim com o maior orgulho, com um sorriso inevitável em meus lábios, com o sorriso de Sañjaya ante o iminente triunfo das hostes de meu Senhor. Oh sim!, Teus inimigos caíram como moscas, como traça desvanecidas ante Tu refulgente esplendor; os especuladores do mundo não poderão, se opor a Tua exposição grandiosa... Eles Te evitaram ou Te apresentaram de maneira equívoca, ou se renderam a Ti se são buscadores genuínos.
Oh sim!, os buscadores sinceros acharão paz em cada uma da Tuas palavras. Aqueles que temem a noite de Kali, que vem o mundo como um penoso inferno... Esses espíritos que amam a bondade e a Verdade, que se inclinam pela pureza, que exercitam disciplina, que procuram avançar e se corregir... Aqueles que anseiam a humildade e a um Mestre, que quer apreender cantos de louvor e aspiram a estar sempre alertas à repentina voz da Verdade, eles Te amarão Oh Gita!. Eles Te levarão em seus corações, Te pronunciarão com cada respiro, não se afastaram de Ti em nenhum de seus atos... Eu sentirei isso com meu sorriso, com o sorriso de Teu inevitável triunfo, Tua vitoriosa bandeira agitada nos céus de Kali, a voz de meu Senhor soando como um tumultuoso trovão, com a luz do relâmpago, agitando as nuvens que ao céu ocultam... Cada verso quero amar, cada verso amado de Tuas palavras, cada expressão de Teu amor até os que sofremos a ignorância que ao corpo grosseiro nos ata. Sempre querei escutar a aurora da Tua voz... Irei aos pés de Teus santos com perguntas pertinentes... Querei penetrar a revelação de Teus mistérios, o que exige muita luz e amor, muita rendição para um espírito vaidoso como o meu.
Alí estarão os santos sumidos em seus estudos, repassando sus velhos livros com seus olhos profundos e entediados do mundo. Com cada versículo me alçaram as nuvens, ao alto da Tua gloria infinita. Me levantaram com as palavras de realização que de suas bocas saem, como venturosas ondas do mar do prema no que sempre se submergem. E cada dia me darão mais. Me levaram ao Bhagavatam... Por toda a literatura da graça e do amor... Por todas essas páginas que se lêem à luz da pureza e da dedicação a Teu serviço. Me ensinaram o significado dessas palavras que a alma invejosa não pode entender, quero sentir então um grande anseio por Tua companhia... Ao menos um grande afã de pureza, de possuir todas as virtudes que ao bhakti decoram; mas para o prazer Teu, não para minha honra…Desejarei muito o poder te comprazer, que Te regozijes em mim de alguma maneira. Orarei sempre para te poder ser grato algum dia. Quero em meu coração a convicção da Tua bondade, da Tua presença, da virtude de todas as coisas, da rejeição ao pecado. Quero força resoluta para avançar sempre, para ir até acima, para ter a realização suficiente como para me render a Ti…Quero saborear quando ordenas: “Levantasse e luta!, e quando tratas de miseráveis e mesquinhos aos homens que são como eu…Gozarei quando retas aos que não amam a Verdade, aos que poupam sacrifícios por te ter, aos que ficam nervosos com o mundo se não da prazeres e que são rápidos para ficar enfadados ou com ira. Sim, em essa nova vida só querei ser como a grama que não se revela, que coopera e participa com humilde silencio. Querei ter a tolerância da árvore que depois de toda uma vida de dádivas e privações, entrega seu corpo para a conveniência dos outros…Com esse espírito cresce alto e frondoso, mas sabe inclinar-se ante o silvo do vento…Assim quero crescer eu no espírito de Teu amor e saber me prostrar ante o som do sruti… Mas, como lograrei isto sem Tua graça? Sem Teu generoso presente? Será impossível senão te tornas misericordioso comigo…Por isso oro com toda humildade, ou com o pouco que possuo, para que venhas em meu auxilio…Porque Tu permites ver aos homens com aa ajuda do sol e da lua, Tu lhes permites recordar seus nomes cada vez que despertam na manhã, Tu nos permites saber que existimos e das coisas que existem... Agora escutei que existe algo assim como a ciência da rendição amorosa a Teus divinos pés… Essa é a ciência que bondosamente quero apreender hoje…Por favor não demores mais em me ensinar…Da-me Teu refugio logo, a companhia de Teus devotos, e o saber apreciá-los de todo coração…
Às vezes querei me perder no silencio da montanha para cavar mais dentro de mim, e em meu pequeno retiro me sentarei perto do fresco arroio e cantarei o sastra, (a escritura)… Ali Te direi: “até quando carregarei a dor da minha ignorância? Quando despertara em mim a misericórdia pelos demais? Quando Te procurarei com um coração puro? Quando conhecerei o caminho que conduz a Teu amor?… As vezes querei essa solidão para me mortificar ao analisar minha profunda baixeza, e de seguro sentirei que ainda estou longe de ser um verdadeiro solitário… Mas igual experimentarei por um tempo…Me submergirei em Teu nome… O sentirei entrar em meu coração… Em esses pequenos momentos de felicidade e gozo, de tanto regozijo e abandono a Ti, sentirei que é verdade a palavra dos sábios, que aparte de Teu nome não há no mundo nada mais… Então descerei da montanha gritando Teu nome a todo pulmão, enchendo as direções com o eco de meu grito para que inclusive as apartadas árvores das afastadas quebradas possam Escutar de Ti…
E ao chegar a casa me postrare ante a bela e simples planta de Tulsi, a que sempre decora Teus pés e se oferece em Teu prato com amor… Me postrare ante ela, a dadora de devoção, a que ocupa todo seu ser no serviço a Ti… Minha mãe me recebera com poucas palavras absorta já em sua cotidiana oração… Terá na terra a esteira de palha, com seus olhos brilhosos, com seu sorriso de luz… Tirara o prasadam de suas panelas de argila, aquilo que foi sua oferenda amorosa a Deus… Novamente me convidará à oração esse alimento puro preparado por minha mãe, com os ingredientes naturais do campo ou com o resultado da mendicidade… O esterco de vaca foi o combustível simples e precioso, todo está aromático e saboroso… Ninguém poderia fazê-lo como ela, a que sempre respira o incenso e a Tulsi oferecida à Deidade…
E quando meu pai tenha voltado da associação com os devotos, lavarei seus pés com fervor e salpicarei essa água na minha cabeça… Tem chegado o pai da casa, o que me inicio na devoção, o que entoou em meus ouvidos os primeiros cânticos a Hari, o que me ensinou a forma da Deidade e me levou aos pés de meu Guru, o que dia e noite vela por que o fogo da divina virtude brilhe dentro de mim…
Amarei o despertar do dia, cada vez com sua roupa de cores tênues, sempre cambiantes, como uma dança de flamengos que chama aos seres à vida, que anuncia a chegada do que coroa ao céu, ao deslumbrante astro, a morada de Narayan… O dourado rei marcara com seu passo os deveres distintos… Quero que cada dia meu seja santo, cada dia dedicado a Ti… Querei ver dentro do concerto da Tua vontade aos múltiplos corpos celestes, que dizer dos sucessos da minha vida!, que dizer da erva crescida no mais crescido e esquecido jardim! …Mas isso não é nada…Isso é o mais elementar e sóbrio da Tua realidade… Queiras, novamente e sempre, o sabor de Teu nome…E por isso se fecharam meus olhos e sacrificarão o alba e o crepúsculo, se fecharão as galáxias de estrelas infinitas, se negarão ao mesmo concerto desta vida, que Tu mesmo diriges, buscando algo mais de Ti… Buscarei em Teu nome, na mansidão a Tua vontade, penetrarei na vertente da Tua doçura, além de qualquer mundano fulgor… Ousado penitente!… Favorecido por Tua graça ilimitada irei direto a bater a porta de Teu vinculo amoroso… Seguirei só a pisada desses santos que caminham sob o cuidado de Teu olhar y que são insaciáveis mendigos de teu docíssimo amor… Orarei porque a voz deles encha a bacia do meu coração…Que peguem a renda da minha errática consciência…Que me amansem com suas realizações…Que me conduzam sempre pela senda que eles dominam, plena de misericórdia e de virtude…
E ao chegar onde meu Guru estarei ante o senhor da minha vida. Sua vontade será minha regra, seu desejo uma ordem. Tentarei inclusive de adiantar-me a seu desejo e de sempre complazê-o em todo. Sua amizade reinara por acima de todas as demais amizades, seu conselho será o Vedanta conclusivo, só querei ver com seus olhos, ouvir sua palavra, servir seu sentimento. Essa alma cheia de misericórdia me dará o Santo Nome, me ensinará a atitude correta para seu canto, me ensinará a servir aos vaisnavas e ao universo do amor… Sempre sua palavra será meu consolo, sua presença a clara aurora, só a lembrança sua é o entusiasmo da minha vida… Seus atos meu orgulho, sua missão meu eterno serviço… Em seus pés estará a pisada dos grandes santos, o sagrado pó dos lugares de peregrinagem, e o frescor das águas dos rios que por essas terras cruzam… Cuidadosamente entregando o fruto maduro que da sucessão de mestres descende, sempre falará palavras com a fragrância do lótus… Sempre bem disposto a escutar ao espírito aflito que cruza a dura solidão desta vida invadida de paixão e ignorância cega… Ele será o consolo dos pobres e dará sua audiência aos príncipes da terra… E ele será igual ante a rocha e o rubi, ante o rico e o pobre, ante o sábio e o inculto… Sempre dançará a sabedoria em seus lábios e nos dará seu doce néctar nos dizendo: “Canta este Nome como se tiveras milhares de bocas, faz um coro em teu coração com angelicais vozes… Enche tua vida com o som do mantra e sempre canta… Sempre canta como a ave que ao fazê-lo aumenta su beleza… Como o inquieto rio que tira da pedra música e alivia à mente aflita… Como o rouco oceano que coreia com poderoso brio… Como o vento que arranca do campo plegarias adormecidas… Como a colossal nuvem que ruge trovões e relâmpagos, som e luz que ao céu alumbra… Canta sempre assim, até ficar com teu coração possuído, embriagado de amor, fora de si, Ele dada tua vida. Até que o canto te submerge na dedicação absoluta ao serviço divino, até que retire do todo os véu de maya e te leve a esse lar de ambrosíacos campos, á terra do néctar, ao doce lar onde todos tem uma preocupação afetuosa por ti… Onde teu interes está plenamente representado pelo harmonioso plano do Onisciente Absoluto.
Não deixes que teu espírito se confunda com a ambígua luz que do Supremo Ser emana. Dessa luz tens vindo, pequena semente de consciência… Mas agora rompe essa velha estrutura e da nascimento a teu fresco brote, anuncia a vida que há dentro de ti, mostra que se podes ser uma pessoa no reino transcendental… Resgata teu potencial divino… A realização da eternidade é como o fundo respiro do que quase se afoga, e por um momento poderá pensar que não necessita de nada mais, nada mais que respirar esse ar tonificante e fresco, que é só o sustento e o principio de uma vida que tem que começar a crescer e a desenvolver-se muito mais. Assim a alma que tem realizado ao brahman ou o espírito começa a respirar o cheiro da sua própria natureza, livre da mortal cobertura… Mas não deve detener-se ali!. Não penses irmão que esse é o fim último, não te enganes chamando a tal logro “Vedanta”, é uma calúnia para o Veda que nos presenteia muito mais. Não digas que já tens concluído o caminho do conhecimento divino e da auto-realização e não te faças chamar Deus… Pois que longe estarás da verdadeira meta! E tu declaração de que és o Supremo só semeará o ateísmo e a irreligião. Não pode misturar-se a religião verdadeira com a inveja e o orgulho. Se rejeitam como o fogo ao frio e como o sol à escuridão… Quem declara que se tem tornado um com Ele está sentado no pedestal de seu mau pretendido logro, longe, muito longe da grácil realidade da sua alma, que é de uma vida de entrega ao serviço do amoroso Senhor.
O Veda nos da mais indicações… Como uma frondosa árvore, carregado de sabedoria, que guarda no mais alto de suas ramas, esses frutos que tem madurado pelo contacto do sol… Esses altos frutos já são só domínio do céu e do vento, de um vento que arrasta o cheiro transcendental do sruti, ou o som da escritura, levando as mais profundas conclusões como um pólen sagrado que fecundará novos espíritos… É ali acima também o domínio da ave chamada Sukadeva Goswami, só a ligeireza de seu espírito pode se posar nessas raminhas suaves, só seu bendito bico pode saborear o fruto nectário custodiado pelos mahajanas, as mais grandes almas auto-realizadas… E depois de experimentar seu embriagante néctar, seu ser saciado no mais puro rasa, depois de abranger o leito profundo das mais profundas realizações espirituais, abre suas majestosas e coloridas asas para iniciar seu vôo próprio, para resgatar mais tesouros do céu infinito… E assim, sábios como ele, de quem o rei Pariksit extraiu o valioso néctar, te levarão à flor de mel mais pura, te adentraram ao mesmo lila de Sri Krsna, no encanto de Seus esotéricos passatempos, vedados para os corações invejosos e egocêntricos. Ali estará a Verdade Ultima, aquela que os sábios descrevam com versos seletos. É o Ser mais encantador e todo fascinante, é o Amor de Sri Sri Radha e Krsna… Todo outro amor se prostra ante ele e lhe cede o passo a seu nobre excelência… Todo outro amor queda enriquecido e se nutre dele, como o sol para muitas flores, como a raiz para muitos frutos, como o diamante fino que realça às pedrezinhas que o rodeiam… Este sim é o fim último: o serviço amoroso a Sri Sri Radha Govinda em Vrindavan, não aspires a nada mais que isso, qualificasse por inteiro, dedicasse de cheio a alcançar a mais elevada altura e a realização mais profunda… Teu coração só nesse serviço pode saciar seu anseio inquieto… Para isso foi criado… Como o pequeno peixe para o imenso mar, como a pequena ave para o imenso céu…”
Assim falará meu Gurudeva, palavras de sabedoria profunda, aliviando a alma da ignorância agônica… Mas na realidade, ! Insolente de mim!, Eu não posso dizer: “assim falará meu Gurudeva” Como pode o cego saber o que vê o vidente? Como pode o surdo conhecer a música de Seu louvor? Só sei que algo assim falara, me baseando nas escrituras, perdoem este atrevimento meu… Mas ele destruirá a lamaçal escura do impessonalismo, e dara o néctar do Nome puro, sua voz se ouvirá nos extremos do mundo, por toda a abóbada celeste, a palavra do jagad-guru será escutada em todos os recantos!…
Ele anunciara a mensagem de Mahaprabhu, Seu profundo desejo, as razões de Seu grande advento… Então um dia tirara de entre seus livros um néctar oculto… Algo que para mím tinha reservado até aquele momento… Algo que guardou por muito tempo enquanto eu me preparava… Imaginemos algo assim como Krsna revelando as coisas gradualmente, e me falara com sua doce voz que escapa entre sorrisos: “Já escutaste falar do Avatar Dourado, do Amo do Santo Nome, do pregador triunfante que recorreu toda Bharata (India) com Seu canto nos lábios… Sua bela figura superava toda beleza, e toda ela se entregava à doçura do kirtan… Seus longos braços alçados ao céu chamavam a Seus devotos quem, como abelhões enlouquecidos, se reuniam ao redor da mel de Su canto… “Que em toda aldeia, povoado, cidade, pelas beiras de rios e mares, que em cada ponto do imenso firmamento, o Santo Nome de Krsna seja cantado…” Esse foi Sua grande profecia e Ele mesmo deu inicio ao movimento das primeiras ondas que agitariam ao grande oceano do prema (do Amor) de Si mesmo emanado…” Então terei a sensação de adivinhar o desejo de meu Guru. Seu coração cheio de misericórdia, constituído da natureza de um vaisnava puro, não poderá tolerar a dor dos outros, a dor da ignorância, a dor que consome a aqueles que se ferem com o aguilhão do pecado… ”Estão comendo a carne de irmãos inocentes e sofrem a embriaguez dos prazeres mundanos…” Me dirá com seus olhos úmidos, com a voz tremendo, quando o sol esteja se guardando, quando esteja indo justamente a iluminar os paragens das cidades do ocidente… “Tem esquecido a importância da alma e o desejo sexual excita seus sentidos e paixões. Para eles não há nada mais que isso na vida, salva-os desse inferno!…” Algo assim me dirá e eu sentirei o peso de um antigo compromisso… As últimas aves revolutearam em seu jardim como dando sua aprovação imediata, antes que o sol fosse embora por completo e apareça seu luminoso séqüito no já escuro oceano do céu…
Serei capaz de fazê-lo?, pensarei saboreando a idéia, apreciando o desafio, agradecendo a confiança de meu pai divino… Sua palavra firme, cheia de convicção, seu olhar seguro, sua sempre misericordiosa postura, invadiram meu ser por completo… Em sua ordem virá a potencia, a capacidade para cumpri-o… Eu sei que sim, assim o sentirei plenamente, cheio de emoção e com certo temor e incerteza… “Meu Guru me empurra ao abismo… - pensarei - quer dar-me a conhecer a doçura da misericórdia dos vaisnavas… Depois de todo que é a missão de Mahaprabhu sem uma vida de pregação? Virei ao monte deitando-se e escutarei o suave murmuro do rio, e quando junto com o coro dos grilos se apaguem os últimos cantos da noite, eu pensarei que já não será mas assim, que já não escutarei tão fácil a música de Teu louvor em aquelas cidades de um progresso que não pode apreciar nunca. De cada casa de meu povo de barro e palha saía ao amanhecer o canto de Teu louvor. Eu caminhava descalzo e todos nos conhecíamos. O grande evento era a chegada de algum santo, e o regozijo da vista era ver à Deidade com vestidos de finos bordados e Sua guirlanda com as flores frescas dos caminhos. Este conceito do povo meu terá que entrar no focinho das grandes cidades impessoais e indolentes. Ali irei com meu pequeno canto, com meus poucos livros, com a firmeza que da a graça, e com o amor que aprendi dos anciãos…
“Pega” - me dirá meu Guru com um sorriso como de orgulho e triunfo - “leva a imagem do grande Acarya, do que atravessou o oceano a idade avançada e levou o Krsna-lila ao centro mesmo do hedonismo e da subcultura. Leva sua convicção e sua palavra, a cujo serviço botei as minhas… Quando ele atravessou, só tinha pecado na terra dos bárbaros, mas agora há muitos vaisnavas e eles compartilharam contigo o sacrifiço divino…” E dizendo-me isso levarei a minha cabeça essa santa imagem, depois de recebê-la de sua generosa mão… Então sentirei uma felicidade muito doce e pacífica, sentirei que recebo uma benção distante e desde muito alto, e que agora poderei compraze-lo em algo, ao que semeo prema bhakti no árido deserto de Kali e o regou com a chuva de seu incessante kirtan… “Ajuda a conservar os frutos do florido vergel, que as sementes de seu amor se abram em radiantes trepadeiras, que não lhes entre o Verne da inveja nem a carniça do interes mundano…” - Assim tal vez me dirá meu Guru, no serviço ao parampara ocupado.
Partirei com a benção de meu pai divino e trás reverenciar a Tulsi de casa… Ali estarão meus pais sentados humildes, como a mesma plantinha divina que adoram… Seus pés serão para mim mais valiosos que todos os lugares de peregrinagem juntos… E com esse pó na minha cabeça irei embora… Irei a acrescentar a fama dos que amam, porque essa é a única verdadeira qualidade que deve se proclamar.
Empurrado pelo Amor deles parecerei como um apóstolo na terra, e entrarei a esses caminhos duros e asfaltados… Nessas cidades onde não se distingue o dia da noite, a amizade do perigo, a confiança do engano, o amor da luxuria, a ajuda da conveniência… Essas grandes cidades me receberam com seus gritos elétricos e suas as vezes brandos tapetes… E falarei aos grandes dignitários da terra, e em alguma esquina com um pobre mendigo… E quem sabe quantos serão meus êxitos e fracassos, mas só saberei que qualquer coisa boa que faça, será graças à voz de meu Guru e demais preceptores, graças à plantinha de Tulsi que adoram em casa, graças aos livros sagrados que carrego, graças a esse canto que já desde criança me diste, e graças em fim a todos aqueles que uma vez com piedade me olharam…
Assim foi o falar do sadhaka essa vez, como se falasse para se mesmo, como recorrendo as páginas de uma ansiada esperança… No céu tinha nuvens rosas e em seu coração jazia a paz da sua pureza resguardada… Este era um sadhaka belo e luminoso, e quem o veia desejavam sua amizade ao instante… Muitos revelavam seus sentimentos mais íntimos a ele como um lótus se abrindo ante o morno sol de outono… Ele marcava o caminho para muitos espíritos idealistas e inquietos… Ele entregava a determinação firme até os princípios do bhakti… A seu lado ninguém podia dizer “é que eu não posso”, ao sumo podiam lhe dizer: “da-me teu apoio, tua amizade, tua graça…”

sábado, 28 de novembro de 2009

Lótus Vermelho

RAKTOTPALA
LOTÚS VERMELHO

Por: Srila Atulananda Acarya

Uma Carta às Madres


MATA RAKTOTPALA

prema-pravaha-madhura-raktotpala-vilocanam
Seus olhos são como dois lótus vermelhos
Flutuando no doce lado do amor por Deus


Sri Adwaita Acarya diz que o amoroso olhar de Mahaprabhu é como "a de um lótus vermelho que flutua no lago do prema", por essa razão escolhemos este título, para ajudar-nos a ter presente que estamos sempre sob esta doce e benquerente olhar do Senhor, por isso é tudo positivo em nossa existência.

Brahman conduz à aniquilação, Paramatma atrai aos místicos, Narayan conquista com sua magnificência, e Bhagavan Sri Krsna é o Deus do amor. Ele só é conquistado pelo amor, só o amor lhe interessa, e tudo o que faz é pelo amor.

Se quisermos conhece-o a Ele, se queremos realizar Sua realidade superior, a mais elevada, devemos esforçar-nos por encontrar o propósito amoroso detrás de todas as coisas... Já que só a través do amor Ele será descoberto.
Desta maneira lutemos por tornar-nos puros, para que o coração possa manifestar sua função natural e própria, esta é, a do mais puro amor aos pés de nosso Amigo Eterno.
Todos fazemos parte disto e ninguém deve sentir-se excluído.
Por isso decidi dedicar estes curtos escritos às madres, a quem muitas vezes admiro, na tentativa de inspirá-las neste caminho que de uma ou outra maneira cruzamos juntos, compartilhando o desejo de que as glorias do misericordioso sankirtan sejam conhecidas pelo mundo.

Claro que não é um trabalho acabado, ainda assim, numa forma muito condensada tentei de plasmar o maior da minha experiência. Quiças num futuro Krsna me dara mais realizações para poder servi-los de melhor maneira. Não me referi muito à madre solteira, a sankirtaneira , como tal vez tivesse querido, mas penso que para elas também servem "Os cantos ao Sadhaka".
Ambos são escritos muito simples e espontâneos, mas tentam expressar o belo estilo da vida que nos ensinou Srila Prabhupada.
Que este pobre serviço seja agradável a meus gurus, às madres e chefes de lar em geral. Que de alguma maneira possa servir de positiva inspiração aos devotos, quem já se contentam com as boas intenções de seus serventes.
Hare Krsna

1

SAUDAÇÃO À MADRE QUE TEM VINDO A RENDIR-SE

Que especial é madre, que tenhas vindo.
Ao refugio dos pés de Sri Hari
Não há prazer no mundo, é sabido.
É sabido que só Ele faz feliz

Terás que lutar muito duro agora
Renuncia a ser o centro de atração
Tu sabes como o homem no mundo
Luta por roubar um pouco de atenção

Não esqueças que tua maior riqueza
Consiste em conservar tua castidade
Sábios e yogis têm feito alarde
Quando eles a tem podido conservar

És o pilar da pureza,
Família e sociedade descansam em ti,
Buscando santidade muitos se afastam
Mais você o tem que ser aqui

Diz Narada que tu és como o fogo
E que o homem é como a manteiga
Tu podes mandar-nos ao inferno
¡Tu podes ser a benção na vida!

Por isso te falo: seja firme e gloriosa
Não caías na tentação mundana
De ti depende tanta virtude valiosa
Não penses que teu aporte não é nada

“Luta -lhe diz Krsna a Arjuna-”.
Aproveita, iras ao supremo destino.
E toda alma que a Meus pés acuda
Esta mesma verdade lhe transmito “

Oh madre afortunada que hoje vens
Ao refugio dos pés de Sri Hari!
Deixando elogios, conveniências e bens.
Viste roupa clara que teu Senhor esta aqui

Não esqueças que madre Laksmi, a bela deusa,
Saindo do mar de leite com sua flor
Devas e asuras lhe ofereceram quanta coisa
¡Mais só em Sri Hari achou proteção!

E Rukmini a princesa de Vidarbha
Tendo quanto rei a disposição
Só por escutar ao sábio Narada
Decidiu a Krsna render seu coração!

2

BONDADE DE MAHAPRABHU E MADRE VEDA

Dizem que a mulher é mais débil e mais tola
Mais luxuriosa, fomenta e apegada.
Se for assim, se elas se rendem, muita graça lhes chega.
Pois, antes, receberam ao Senhor Caitanya.

Não vimos aqui para nos crer grandes,
Senão para saber como somos de pequenos
O Senhor não vai se surpreender com ninguém
E ensina que os últimos serão os primeiros

Não te ofendas madre, não te sintas,
Se alguma vez o Veda tuas fraquezas senhala
Inclusive ao sábio com dureza o alerta,
Pois, cumpre o dever a Madre quando reprende.

Buscamos verdade, pureza...e a humildade:
É a única chave que abre essas portas
Se a Madre vê em ti muito que mudar
Em boas mãos então te encontras

Por tanto sofrendo chegamos a Sri Hari,
Mais, o sofrimento é por nossos defeitos.
A alma sincera aprecia dentro de si
Que o Veda fala claro, duro e certeiro.

"Teu guru e teu esposo devem ser o mesmo"
Mais também para o homem diz isto Risabhadeva:
“Que real esposo e esposa, que real amigo”,
É quem nos liberta de toda miséria...”“.

Se o Senhor te considera tão limitada
Não quer condenar-te, mais sim que te protejam.
Uma com outra se ajudam às almas
Pois todos sofremos fraquezas

3

CONSELHOS PARA O MATRIMONIO

Oh madre! se buscas um esposo:
Que represente a teu guru e Senhor...
Que não seja teu todo, nem tampouco,
Tu para ele, pois seria ilusão.

Não te irrites se não te alegra
Ele é só um pequeno mortal,
Mas se a Sri Krsna te leva
Seus pés são dignos de adorar.

Recorda que o matrimonio
É um arranjo divino
Exige paciência, humildade, compreensão, de tudo!
Vencer rancores, ciúmes, silêncios e egoísmos.

É uma senda de avance espiritual,
Não uma concessão à complacência.
O amor é fruto da vontade,
Não da luxuria nem da preguiça.

Matrimonio significa trabalho,
Para se compreender e ajudar.
Cada problema é um passo
Segue adiante, nunca para trás.

Cada vez que um problema apareça
Pensa: Que tenho agora que purificar?
Não te frustres pensando que os outros casais
Não lhes acontece coisa igual

Não esqueças que vamos até Krsna
Solteiros e casados, todos por igual,
Age sempre em Sua harmonia,
Guru e sadhu te poderão ajudar

Se marido ou mulher devem ceder,
Para estabelecer um acordo,
Fazê-lo tu melhor, para teu bem,
Tem fé em que controla o Supremo.

Toma a posição mais humilde
Pensa: "Meu dharma é compraze-lo a ele"
O mais importante, nunca o esqueças:
"É cumprir com nosso dever”.

Talvez tu tenhas a razão
E ele o entenderá mais tarde,
Mais que o modo da paixão
Não ascenda a ira em ninguém.

Toda criação externa,
É para corrigir nosso interior.
Seja mais simples que a erva,
Como a arvore tolera a provocação.

Observa tua posição vantajosa:
Tens o dever de ser humilde,
Para o homem também,
Quando seu guru lhe pede.

Dois brahmanas devem conversar
E resolver em bondade seus problemas,
Nietzche diz que por falta de amizade
Não demonstram seu amor como deveriam.

Bom, isto é de não acabar,
Mas, tal vez, possa resumir.
Em que, o avance espiritual.
Deve ser nosso único objetivo.

Não penses que terminara tua solidão,
Não penses que não terá ansiedades,
Nossa consciência material
Nos mantém junto a estes males.

Não esqueças que tens vindo por Krsna
Entorná-lo, então, em teu coração:
Que esposo, filhos, parentes, amigas...
¡Sejam os súbditos de teu grande Senhor!

4

MADRES KI JAY

Admiro a madre que deixa tudo
Pois, não é comum para elas o renunciar.
Muitas vezes o fazem de tal modo,
Que ensinam a brahmanas e demais.

Umas no sankirtan fazem maravilhas
Na pregação, cozinha, gurukula ou mamães.
A todos nos da a oportunidade Krsna
E assim o desejo mostrar Prabhupad.

Inclusive há asrams de madres,
Estabelecidos pelo grande Maharaj,
Isto fará que outras se entusiasmem
E desenvolvam todo seu potencial.

Recordo a Gandhari, a de vendados olhos!
Recordo a Savitri que venceu a morte!
Fieis elas ao dharma e a seus esposos,
Não há sábio ou santo ao que não alentem!

Que triunfal Draupadi na suja assambleia!
Que inspirada oração a que Kunti elevará!
Nossos gurus são estas afamadas rainhas,
Por cujas glorias ganharam eterna fama.

Ao fazer Krsna à mulher mais simples,
Permite-lhe render-se e adorar com mais fé.
Prabhupad diz que, em geral, primam.
Em templos e igrejas, mais elas que eles.

Não há qualidade mais importante,
Que a de entregar-se ao Senhor.
Capacidades tira Ele ao instante,
Quando obstaculizan a rendição.

5

HUMILDADE TRIUNFANTE

A mulher não deve mostrar-se, não deve sentir-se, não deve escutar-se.
Deve estar atrás, deve estar abaixo.
Com inveja me pergunto:
Porque tanta preferência, atenção e cuidados?
"Só seu nome pode perturbar a mente do sábio...”.
Ela também tem nascido para morrer, para negar-se, para vencer-se...
A mulher que tem entendido isto é uma madre.
E se tornará o elogio dos sábios.

A mulher deve cobrir-se, e deve ser uma constante servente.
Ao seu esposo e a seus filhos deve atender, e meditar em seu Guru.
Ela come depois, dorme depois, depois se relaxa.
Sempre deve ter um sorriso amável com quem esta.
Não nasceu para ser forte, para ser erudita nem famosa,
Parecera que nasceu para as tarefas mais simples e comuns,
Mas vejo a essa mulher ocupar o coração de grandes homens,
A vejo amparada baixo o cuidado de seu Guru
E com a sua fortaleza e humildade se ganha o elogio dos sábios!

Sou mais baixo que um Verne no excremento; diz Kaviraj Sri Krsnadas
E Sanatan Goswami queimou seus pés na areia de Puri,
Para não perturbar aos pujaris do templo de Jaganath;
Srila Haridas, nem sequer se sentiu digno de compartilhar,
O prasadam com os demais devotos,
(mas o Senhor lhe enviava Seus próprios remanentes).
Estes são alguns exemplos da humildade extrema,
Que decoram por sempre com gloria ao Vaisnava.
A antes princesa Gangamata Goswamini mendigou, porta por porta,
E os reis se prostraram a seus pés para escutar sua recitação do Bhagvatam;
Ela estava absorta no nome dia e noite,
Ela seguiu a seu Guru e aos acaryas humildes
E se tem tornado motivo do eterno elogio dos sábios!

Se vens à consciência de Krsna é porque tens decidido render-te ao amigo Supremo,
Ao Supremo benquerente.
Aqui as relações são honestas, bem intencionadas, e cheias de benção.
Não há anartha que o santo nome não possa destruí.
Como poderosos guerreiros, com completo coragem,
Enfrentemos os dragões de nossos anarthas.
Assim como Indra recebeu a Dadichi a poderosa arma,
Para vencer a Vritrasura, assim gurudeva nos tem dado o mantra poderoso.
Usa tua arma! -lhe gritou Vritra a Indra, nervoso-Pensas que esta não surtira efeito?
Pensas que o Supremo há enganado?
Temos chegado numa terra amiga e não seremos rejeitados...
Madre! Tu também estas sendo convidada para tornar-te mahatma,
No economizes esforços! Não ponhas limites à graça do Infinito!

6

CHAMADO AO NECTAR

Porque se te exige tanta morte entendi,
Que a ti também te chamam Saraswati, a esposa de Brahma, a Sabedoria,
Porque se te exige tanta sumissão e humildade entendi,
Que a liberdade te convida a nascer e que o amor puro te espera,
Porque vi que a ti também o Veda te corrige e castiga entendi,
Que és uma filha querida e que milhares de tesouros te reservam,
Porque te chamam "madre" entendi
Que por isso não só se te deve respeito,
Senão que teu coração deve preparar-se para os grandes sacrifícios que a categoria de madre exige,
E que essas qualidades as tens ali, como o perfume de uma flor adormecida, como um diamante que deve ser polido...
Não esqueças que somos sementes, e devemos crescer até o infinito,
Busca tua riqueza e encontrarás uma grande tenacidade, uma grande capacidade, para morrer por aquilo que amas.
"Madre", esta palavra só, este abnegado e oculto serviço, com quanto fogo vemos gravado no coração dos homens, quantas emotivas rimas tem arrancado da pluma dos poetas...
Até onde chega teu cargo? Quando começa e Quando termina?
Krsna tem infinitas madres, e "Eu sou o pai e a mãe”. afirma no Bhagavad Gita,
Declarando Seu gloria como o Amante Supremo.
Isto te digo madre: "Somos pintinhos, dentro de este "andha" o a grande casca do universo... Mas para romper esta casca não é crescer com o corpo o que necessitas , senão que teu amor cresça, até que não encontres aqui espaço suficiente, que teu amor cresça até encher o nome "madre" que recebeste!".

7

DE DUKHI A SUKHI

Hoje limos a historia de Dukhi,
Que servia na casa de Srivas,
Traía água do Ganges em vasilhas
E organizados os botava em filas.

Isto fez para que Mahaprabhu,
Depois do kirtan, tomasse banho.
Ao ver Ele as vasilhas perguntou,
Querendo abençoar essa alma:

“Quem fez isto com tanto amor”,
Com tanto ordem e cuidado?”“;
Que “Dukhi o fez, para o Senhor”,
Os devotos lhe informaram.

“Porque Dukhi? Diz Ele”.
Sukhi vai se chamar desde este dia,
Já não sofrera nenhum padecer,
Por isso, que se chame Alegria...”“.

Senti abrir o céu,
Ao saber de Senhor tão gentil,
Pois eu, que qualidades não tenho,
Assim de simples o poderia servir.

Por suposto é questão de pureza,
Mas de isso o serviço se encarrega.
Faz tudo com agrado e beleza,
Fé e entusiasmo ao Senhor lhe agradam!

8

COMENTARIOS DE UN FILHO

Minha madre sempre esta feliz -observou o menino-
E canta, enquanto varre descalça.
A vejo adornar o pequeno altar e preparar a oferenda
Ninguém quer comer fora de casa

Minha casa é um templo, minha madre é uma santa,
Sempre alguém vem a pedir-lhe conselhos,
Às vezes ela me diz: Meu filho canta!
E me deixa oferecer a Krsna um incenso.

Muitas historias de Krsna me conta
Como veio como Varaha e Rama
E que se um sempre nele pensa
Com todo temor e problema acaba.

Ao chegar meu pai cantamos e lemos,
O centro de todo esta no altar,
Mas, me disseram uns companheiros.
Que eles só assistem tv e nada mais...!

9

O VALOR DE TEU SERVIÇO

Tu não podes saber quanto vale teu sorriso,
Nem quanto vale um prato por ti preparado,
Quanto vale, para um pequeno tua caricia.
Para o homem teu valor, teu apoio abnegado.

Tu não sabes quanto vale tua disposição,
Tua ordem, tua limpeza, teus ensinamentos a teus filhos,
Teu humor, caráter, firme devoção...
Não sabes nem podes dar-te o valor preciso...

És o ímpeto que sustenta à família,
Vives no ninho de amor que deve ser tua casa,
Tu crias o ambiente onde se adora a Krsna
E só por amor, ali, dia e noite trabalhas.

Um sadhu não comera de mãos de alguém impuro,
Nem fará amizade com os ignorantes da terra,
Mas Laksmi vê tua mais simples oferenda com orgulho
E abençoa a casa onde homem e mulher se esmeram.

Só tu podes criar em teu lar o refugio contra maya
E de ti depende muito a formação dos filhos
Não esqueças que antes homem e mulher se sentavam

És um pilar tão importante, mas se te esconde
(Como sucede em geral com os pilares)
Para salvar-te do orgulho, pois o renome.
O evitam os grandes santos, já o sabes.

“Dame ao menino até seus cinco anos”,
E logo faz com ele o que tu queiras...”“.
Isto diziam os Jesuítas... E assim veja bem
Que tarefa importante se te encomenda!

Mas não olhes ao mundo porque perdeu o sentido
De que é na realidade o bom e o que é mau
Não tem metas reais, não considera o divino,
Na vida para ele, não há nada sagrado.

Para o matrimonio e família
É como qualquer serie
Em qualquer momento se termina
É assunto de prazer, não de deveres.

Oh madre! Com teu espírito alça uma formidável força
Protege a pureza de teu templo, que todos ali se encontrem bem.
Como se cuida a um novo bhakta, aceitando seus caprichos as vezes.
Cuida também aos teus, com santa satisfação e fé.

10

CANTO A DRAUPADI

Oh Draupadi! Chama-te Krsna
Por teu grande amor a Deus
Oh serva ao Senhor rendida!
Que bela é tua devoção!

Arrastada com grande ignomínia
Á assembléia viciosa essa vez
Gritaste o nome de Govinda
Para impedir tua nudez

Ali estavam teus esposos e Bhisma
Mas que puderam eles fazer?
Não lhes faltava força nem estigma
A esses filhos de devas, de grande poder.

Mas todo falha neste mundo é evidente,
E assim o entendestes nessa ocasião
E alçando heróica ao céu tuas mãos
Nos ensinaste o que é rendição!

Só teu cabelo foi descoberto
Mas nem isso o tolerou o Senhor
Já eram eles homens mortos
Por ofender assim teu pudor

Aceitaste depois de isso o exílio
E seguiste a quem te tinham falhado
Não existia rancor em teu sentir divino
E os perdoas-te ao sabê-los limitados

Cinco filhos, mas tarde perdiste.
Existirá no mundo uma dor maior?
Mas nem uma milésima diminuíste
Tua provada dedicação ao Senhor

É impossível medir tua grandeza!
Se ao mesmo assasino lhe diste proteção
“Não quero Oh Arjuna! Que cortes sua cabeça”,
Que só chore esta madre “-foi teu clamor”.

Bhaktivinod recebeu da tua mão
Abençoado prasadam em Navadvip
"Está muito simples, pois somos ermitães"
Assim lhe dissestes, e ele caiu fora de si.

Livre de todo rancor, cheia de perdão.
Rendida com plena dependência
És baluarte do mais puro amor
Por isso te ofereço minhas reverências

Do Mahabharat és a rainha
Cantam-se tuas glorias a viva voz
Quem teu nome e atos recordam
Saberá um dia o que é devoção!

11

CANTO A KUNTI

Canto-lhe a Kunti, a rainha solitária.
Que teve três filhos dos devas
Dois filhos de Madri lhe cuidava
Como se fossem os dela

Sofreu exílio na temível selva
Ela, a acostumada a finuras.
No meio de chuvas, frios, feras...
Sem perturbar sua devoção pura

Queriam-lhe matar seus filhos
Ao seu Bhima o envenenaram...
A casa de laca, planejado delito.
Do que por graça escaparam

Varanatha, a cidade desolada.
Tornada pelos Pandavas paraíso
Num sujo jogo de quem os invejava
Os mandou ao desterro, a outro suplicio.

Tu que sim conhecestes toda opulência
Pois fostes a imperatriz da terra
E conhecestes a ascética pobreza
Ainda assim lhe pediste a Krsna: “Dame problemas”,

Pois nessa necessidade extrema
Poderei orar-te com fervor sincero
E seguro virás, pois nunca te negas.
E ao verte já não nascerei de novo...”“.

Esta oração mostra tua integridade
Que nada temes por alcançar Seus pés
Vendo calamidades e asperezas
Qual benção que te levam a Ele

A Draupadi, Krsna deu cinco esposos.
E a ti, Sua preferida deixou viúva.
Ele, por cuidar-te, quis que nenhum outro.
No amor que se guardam se intrometa

Tu oraste: “Oh corta todo nu”.
Que ao afeto familiar me apressa
Deixa-me ver a todos como Teus
E que meu amor por Ti não desvaneça...”“.

Oh Kunti! Rainha pura, vencedora do mundo.
A Surya mesmo conquistou tua beleza
Que deixamos nós? Bem nenhum!
Tua renuncia sim é mostra de grandeza

Oramos a teus pés, pois bem sabemos.
Que tua graça a anseia Brahma e Siva
Nem uma alma pode deixar seus apegos
Se por alguém como tu não é abençoada

“Como o Ganges flui até o oceano”.
De igual modo que minha atração chegue a Ti...”“.
Assim lhe oraste aquela vez ao Supremo
E ao pé de esse teu amoroso desejo
Peço que também me ponhas a mim!

12

PARTES... O ESPOSO PREGADOR

O esposo se tem ido a pregar as glorias de Hari...
E a madre tem fechado com dobre trinco
As estrelas amigas lhe causam medo,
E a lua tem assumido um letárgico passo.
Os grilos da noite cantam à solidão da vida
E o menino tal vez tarde mais esta vez em dormir-se
Na cama espera escutar sua historia de Krsna, teu sorriso,
Tua caricia e que todo esteja bem...
A partida do esposo tem sido como uma morte prematura,
E agora deve intensificar sua relação com o Supremo.
A madre não quer rir nem usar maquiagem...
E o sari de festa aguarda no esperado regresso...

13

TRIUNFANTE HARI

Não penses que porque aceitaste a Hari já não existirá sofrimento. O terá mas saberás como superar-lo. Tu não tens vindo aqui para evitar a dor, senão para conhecer a verdade das coisas.
Fugiste do mundo ao realizar seu eminente perigo, mas ainda o temos que enfrentar.
Não esqueças madre, não pode ter Victoria sem batalha, não pode ter paz se não teve guerra.
O problema, a desgraça, as ansiedades, são as oportunidades para pôr a consciência de Krsna em prática.
Eles te aproximaram mais a teu Guru. Ajudaram-te a apreciar mais a teus benquerentes. Seram provas para tua fé.
Tu acreditas realmente que Krsna pode salvar-te do maior problema, ou quando estás em problema pensas que Krsna te abandonou?
Nunca aceites este pensamento, nunca os aceites. Rainha Kunti diz que os problemas são benções de Krsna. Krsna a través de eles te diz:
"Até quando guardas esperanças neste mundo minha filha? Te mostrarei que aqui todo acaba. Que aqui não tem seguridade nenhuma. Quero mostrar-te que só a Meus pés acharas refugio seguro. Não divides de Mim, Eu nunca te poderia enganar...”.
Se já deixamos o mundo porque realizamos que estava cheio de problemas que ninguém os resolvía na realidade, não tem sentido voltar a éle porque nos tem surgido alguma adversidade. O naufrago que nada até a beira, ainda tera que enfrentar a furia de muitoas ondas, mas nunca por isso o verás devolver-se e nadar até alta mar!
Este é o mundo da perplejidade, é muito grande para nós, nunca poderemos entender-lo, menos corregir-lo nem controlar-lo.
Por isso Krsna diz: “Seja igual na alegría e a dor, no éxito e no fracasso, na victoria e a derrota. Não penses que estos são importantes. Não te molestes comigo se perdes, não te alegres comigo se ganhas. Eu não quero que guardes interés por este mundo. Um dia te poderes fazer ganhar, e outro dia te farei perder, como na primavera e outono às folhas de uma árvore. Não te alteres por isto, não tem importancia, os sabios conseguiram manter suas mentes ecuánimes em ambas circunstancias. Por acima de todo Eu sou teu amigo eterno, isto é o importante, não o esqueças, se o esqueçes caerás no pecado."
Falo-te, "nossa fé será ciosamente provada", além de teu limite, além da tua força. Terás que correr onde teus guardiões com lágrimas nos olhos, gritando sálve-me. Minha fé se morre, o monstruo da minha mente me tem poseído, e não percebo nenhuma luminosa saida. Terás que orar em tua japa terás que suplicar muito submissa, para que Sri Krsna tire sua sombra de maya. Tua mente não poderá ajudar-te, tua inteligência tampouco, estarás no limite de tuas potencias materiais, no limite de teus recursos, desamparada e esgotada... E então... Terás que render-te...
Terás que recorrer a mais poderosa arma, essa arma com a qual lhe da completa liberdade de ação ao infinito... Esta se chama à oração, essa oração onde dizes: "Oh Senhor, não entendo nada e não posso fazer nada, por favor, me ocupa como teu instrumento...”.
Uma vez que Prabhupad quase morria, os devotos lhe perguntaram se podiam orar-lhe de alguma maneira especial a Krsna para que ele melhorasse, ele diz que sim, e diz que a oração poderia ser: "Meu querido Senhor Krsna, se tu queres, por favor, cura a Srila Prabhupada..." eu quedei surpreso com o humilde desta oração que repetíamos dia e noite.
Quando chegues a essa atitude serás uma verdadeira devota. Alguém que se rende e depende completamente em Krsna. É muito belo, o Senhor quer tomar conta de nós, mas por nosso ego não o deixamos...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009